PVocê ainda acha que a nova lei de proteção de dados (LGPD) não vai “pegar” no Brasil? Uma pesquisa da consultoria Accenture em 13 países, incluindo o Brasil, diz o contrário.

De acordo com o levamento, os constantes vazamento de dados, ataques de cibercriminosos e as notícias sobre a proteção de dados tem deixado os brasileiros mais desconfiados com o tema do que a média global.

No resto do mundo, cerca de 64% dos entrevistados confirmam que esses eventos os deixaram mais preocupados com a forma como suas informações são usadas. No Brasil esse número sobe para 77%. O relatório também apurou que 76% dos brasileiros tem medo de ser vítima de ataques virtuais. A média global é de 61%.

Coleta de dados pessoais nas empresas

A consultoria ainda explorou as diferenças nas concepções de profissionais em cargos executivos e dos demais funcionários.

Segundo a pesquisa, os executivos têm menor resistência na coleta de dados se ela partir da empresa em que trabalham. Em entrevista, 46% dos executivos responderam que teriam a sua confiança na companhia abalada se ela passasse a buscar informações sobre eles em outras fontes. Quando a mesma pergunta foi feita para os demais funcionários, 53% confirmaram que poderiam deixar de confiar na empregadora na mesma situação.

A Accenture também perguntou se os colaboradores se incomodaram se a empresa em que trabalham coletasse dados sobre seu trabalho e sua vida pessoal. Entre os funcionários, 45% disse que sim, entre os executivos, a taxa de confirmações foi de 31%.

Falta de “privacidade” nas redes sociais fortalece preocupação

Boa parte dos funcionários brasileiros ainda demonstra um temor bastante específico. Quase 70% deles têm receio de que as empresas espionem suas informações na internet para monitorá-los e puni-los.

Provavelmente esse medo é motivado pelo fato de companhias brasileiras já terem usado publicações em redes sociais e outras plataformas como forma de avaliar um candidato ou mesmo aplicar uma demissão por justa causa.

Um dos últimos casos registrados aconteceu quando um funcionário de uma companhia aérea apareceu em um vídeo constrangendo mulheres durante a Copa da Rússia, em 2018. A demissão do colaborador aconteceu logo depois do vídeo viralizar.

Ainda há um longo caminho para conscientizar a população sobre a proteção de seus dados pessoais, e essa é uma das responsabilidades da ANPD, que vai regular o setor. Mas é fundamental começar a entender desde já a importância que as informações dos brasileiros têm para as empresas e quais serão os direitos dos cidadãos sobre eles. Essa é a melhor forma de nos protegermos e garantir mais respeito e equilíbrio nas relações digitais.

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here